Custo de futebol europeu, no Brasil. Aí vamos nós…!
janeiro 22, 2011, 9:56 am
Filed under: Corinthians, Torcidas Organizadas

LANCEPRESS!
Publicada em 21/01/2011 às 18:31

Patrocínio: estudo põe Corinthians no topo mundial

Timão fica atrás apenas dos ingleses Manchester United e Liverpool e do espanhol Real Madrid

Um levantamento da empresa de consultoria de marketing esportivo Sport+Markt mostra que o Corinthians lidera entre times brasileiros com receitas de 22 milhões de euros (cerca de R$ 48 milhões) de patrocínio decamisa, atrás apenas dos ingleses Manchester United e Liverpool e do espanhol Real Madrid.

Estudo coloca Brasil como terceiro mercado de patrocínio de camisas do mundo

O patrocínio nas camisas dos times brasileiros é o terceiro maior do mundo. Um levantamento realizado pela Sport+Markt, líder mundial em consultoria do mercado esportivo, mostrou que a receita dos times nacionais ficou a frente dos clubes italianos e espanhóis.

O Brasil que, há três anos, não aparecia entre os oito maiores mercados do futebol agora é a maior renda das Américas. De acordo com a pesquisa, o lucro total é de 104,6 milhões de euros contra 128 mi e 118 mi dos ingleses e alemães, respectivamente.

“O mercado brasileiro já é uma plataforma efetiva para patrocinadores e as previsões são ainda mais positivas. Com a volta de algumas grandes estrelas internacionais do futebol para o país e com o crescimento de jovens talentos nacionais, a Série A estará, em breve, ainda mais próxima da Premier League Inglesa e da Bundesliga Alemã. Tem ainda a Copa do Mundo da FIFA em 2014 que trará mais exposição internacional para este mercado”, afirmou César Gualdani, da Sport+Markt.

Um levantamento da Sport+Markt mostra que o Corinthians lidera entre times brasileiros com receitas de 22 milhões de euros de patrocínio de casa, atrás apenas dos ingleses Manchester United e Liverpool e do espanhol Real Madrid.

Sobre a SPORT+MARKT: Com mais de 20 anos de experiência no mercado, a empresa é uma das líderes mundiais em análise, avaliação e consultoria de marketing esportivo. A agência é uma parceira renomada dos principais patrocinadores, patrocinados e detentores de direitos do setor e, além da sua sede na Alemanha, tem escritórios no Reino Unido, na Espanha, Itália, Holanda, Brasil e Cingapura.

FONTE: LANCE!NET

*Atentar para esses absurdos que a mídia insiste em transmitir como um progresso para o Brasil – Brasil elite, não povo.



Brasil: o país do futebol…para os ricos.
janeiro 6, 2011, 3:07 pm
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IHU on line

Entrevista especial com Marcos Alvito da ANT – Associação Nacional dos Torcedores

 “A Copa do Mundo no Brasil vai custar 17 bilhões de reais. Para se ter uma ideia, o Bolsa Família gasta 13 bilhões e meio de reais por ano. Se o Bolsa Família permite que você alimente 30 milhões de pessoas, com o dinheiro da Copa do Mundo daria para alimentar 50 milhões de pessoas durante o ano. Será que vale a pena, quando sabemos que 65% desse dinheiro irá para a construção de estádios, que vão aprofundar o processo de elitização do futebol, além de dar dinheiro para empreiteiras, políticos e dirigentes corruptos?”, questiona o historiador e antropólogo Marcos Alvito. Indignado com a elitização do futebol, ele fundou a Associação Nacional dos Torcedores para poder, no celetivo, ter força para barrar o processo que ele chama de aristocratização do futebol.

Na entrevista a seguir, concedida por telefone, à IHU On-Line, Alvito desmembra o que está em jogo com a elitização do futebol e analisa o processo no Brasil e no mundo. E falta também sobre a organização da Copa do Mundo de 2014 no país. “Os cartolas, até agora, estão ganhando de goleada. Está na hora dos torcedores entrarem em campo e virarem o jogo”, enfatizou.

IHU On-Line  – O futebol no Brasil está elitizado?

Marcos Alvito – Este é um processo que se acelerou nos últimos cinco anos. O principal elemento é o preço abusivo dos ingressos, que aumentando muito além da capacidade do poder aquisitivo do brasileiro e dos índices inflacionários. Hoje, há ingressos que custam, às vezes, o dobro da entrada para o cinema, que também teve uma valorização muito grande nos últimos anos. Em Santa Catarina, por exemplo, onde estou agora, o Avaí subiu o ingresso de R$ 40,00 para R$ 60,00. Em Curitiba, quando subiu para a primeira divisão, o Coritiba avisou que o ingresso custará R$ 100,00 para quem não for sócio. No Rio de Janeiro, passou de R$ 15,00 para R$ 30,00 e, no ano seguinte, de R$ 30,00 para R$ 40,00. Isso sem falar nos dias de clássico ou outro jogo especial.

Outro elemento desse processo de elitização é o desaparecimento das áreas populares, como a Geral do Maracanã, em 2005, que foi a senha para essa transformação. O Palmeiras, em São Paulo, está demolindo o estádio para construir uma arena onde, obviamente, não terá uma área mais barata. O Internacional destruiu há anos uma área popular chamada “coreia”. Quando estive um ano na Inglaterra, conheci um projeto que trata da transformação do estádio em um shopping e do torcedor em um consumidor. É um plano de marketing que muda a clientela do futebol, buscando quem pode consumir, pagar esses ingressos caros, comprar todo tipo de produto, desde óculos de sol a cosméticos, na loja do clube. É um plano para expulsar os torcedores mais pobres.

Além de shoppings, os estádios são estúdios de televisão, onde há uma cidade cenográfica de faroeste feita de papelão e isopor, mas que dá um bom efeito. É um fake, uma caracteristicamente pós-moderna. O Engenhão, por exemplo, é um estádio todo aberto, com bonita arquitetura. Filmado de fora, parece um navio fantasma flutuando, todo iluminado. Mas ao entrar, percebe-se que é um estádio pessimamente construído, com pouquíssimo espaço para as pernas. Lá, você não desce diretamente para o túnel de saída, é preciso passar por cadeiras para depois pegar a escada de novo. Se acontecer uma situação de pânico no Engenhão, morrerá muita gente amontoada.

Existe também uma diminuição da capacidade dos estádios, uma tendência mundial apontada pela FIFA. Ao mesmo tempo em que você expulsa o povo do estádio, você joga ele para a poltrona onde ele compra o Pay-per-view. É um crime perfeito: você coloca o jogo em um horário ideal para o telespectador ou o teletorcedor, mas o torcedor de verdade, o de carne e osso, fica como um palhaço que participa da festa, indispensável para o espetáculo da televisão. Mesmo que tenha somente três torcedores no estádio, as emissoras os mostram como se fosse um show de torcida.

IHU On-Line – Quem tem interesse na elitização do futebol?

Marcos Alvito – Os interesses são muito variados. As empreiteiras, que no Brasil elegem 54% dos deputados, sempre têm um grande negócio derrubando um estádio e construindo um novo. Assim como os diretores de clube, de federações e autoridades em geral, que aprovarão esses planos e que, obviamente, farão o famoso “caixa dois”.

O segundo interesse é o das televisões, que querem um espetáculo muito bem coordenado, sem problemas, onde não haja brigas ou outros fatores que manchem o espetáculo. Vemos a televisão apoiando claramente determinados tipos de torcida. Nos últimos cinco anos, por exemplo, junto com esse processo de elitização, surgiu no Rio de Janeiro e em outros lugares do Brasil uma torcida que só apoia o time, que não o critica, não fala palavrão, não xinga a torcida adversária, só existe para exaltar os ídolos e a história do time, politicamente corretos. São os Loucos pelo Botafogo, Legião Tricolor, Os guerreiros do Almirante, a Urubuzada do Flamengo, embora haja algumas diferenças entre elas. O interessante é que a televisão coloca inclusive as letras das músicas dessas torcidas na tela enquanto está passando o jogo. São torcidas que têm papel consciente de figurante do espetáculo televisivo, produzindo coreografias, músicas, bandeiras, cores, sons, mas sem papel político de torcida, de protesto, de transgressão, de conscientização e de revolta.

Nelson Rodrigues já dizia que futebol sem palavrão não é futebol, porque o palavrão tem uma capacidade de liberação fantástica. Não estou elogiando os cantos homofóbicos e racistas; estou falando do palavrão geral, de liberação, de mandar o jogador para aquele lugar, xingar o juiz sem ser racista ou homofóbico. Isso faz parte da cultura do futebol. Obviamente, que quem tem grande interesse nessa transformação são as grandes empresas, porque o futebol é uma língua franca, universal, que serve para vender qualquer tipo de produto. O futebol é o principal carro chefe na indústria do entretenimento no mundo, é um negócio que movimenta bilhões. O esporte é tão importante nos Estados Unidos que ele movimenta sete vezes mais que Hollywood, duas vezes mais que a indústria automobilística. No Brasil, já se despertou para isso há algum tempo; é a festa dos consultores de marketing, do pessoal que tem MBA, que infesta os clubes tentando imprimir essa ideia de que precisamos mercantilizar tudo.

O futebol é central na cultura brasileira, um meio de expressão. O brasileiro debate as grandes questões políticas, filosóficas, existenciais através do futebol, jogando ou conversando sobre o jogo. Mas esse cara vai virar telespectador, assistir a propaganda e comprar o produto se ele puder. E para aquele espetáculo especial, tipo uma ópera, vão os eleitos, de carro, em um esquema antiecológico. O Maracanã vai aumentar enormemente o espaço para estacionamento, o que é um absurdo quando pensamos no aquecimento global. Tinha que se melhorar o espaço público e não dar mais espaço para estacionamento estimulando as pessoas a terem carro e destruírem o planeta. É uma insanidade total como demonstra, por exemplo, a escolha da Rússia e do Catar como sedes da Copa do Mundo. Só há um interesse: o dinheiro. São países onde não há tradição democrática e o “caixa dois” pode imperar livremente sem o controle da sociedade.

IHU On-Line – Foi a televisão que elitizou o futebol, então?

Marcos Alvito – A lógica da televisão é filmar e mostrar um show que tenha interesse comercial, que tenha grande audiência. Isso significa que ela quer filmar, sobretudo, equipes que são populares e os jogos que tenham maior rivalidade. Flamengo e Corinthians, por exemplo, é uma festa para a televisão porque o que importa para ela é o número de espectadores. No caso inglês, antes da entrada pesada da televisão, sobretudo da televisão a cabo, havia quatro divisões do futebol inglês, compostas por 92 clubes. Aquele timezinho da quarta divisão era importante para o sistema futebolístico inglês. A primeira divisão levava 50%, a segunda 25%, a terceira 12,5% e a quarta 12,5%, era um sistema relativamente saudável.

Quando entrou a televisão a cabo, ela comprou os direitos por um absurdo de dinheiro, mas fez com que fosse criada a Premier League, que foi um golpe baixo. Aquilo que foi vendido como um grande sucesso foi baseado no fim de uma tradição de solidariedade entre os 92 clubes das quatro divisões da Inglaterra. O multimilionário da mídia Robert Murdock disse: “Eu pago, mas só quero jogos da primeira divisão, não me interessa pagar e dar dinheiro para a quarta divisão. Eu quero pagar para ver jogos do Arsenal, Manchester, Liverpool”. Esses clubes cresceram e saíram da Football League inegavelmente, porque eles tinham contrato e formam uma divisão a parte, que foi a Premier League. O dinheiro da televisão, que era uma montanha comparada ao que a rede pública pagava antes, passou a ser dividido entre aqueles vinte clubes. Não satisfeita, a televisão passou a transmitir determinados jogos, do Liverpool, do Arsenal, do Manchester, e os dirigentes desses clubes disseram: “Se transmitem mais os nossos jogos, queremos mais dinheiro”.

A lógica da televisão é privilegiar os grandes clubes, os que dão audiência, porque permite comprar cota dos anunciantes. Isso gera um sistema de concentração de recursos nas mãos dos grandes clubes que, com os recursos da televisão, compram melhores jogadores, ganham mais campeonatos e são mais televisionados. Nos últimos anos, a Inglaterra teve, praticamente, dois campeões: Chelsea e Manchester United. A concentração de riqueza nas mãos de grandes clubes é exaltada pelos consultores de marketing que não entendem absolutamente nada de futebol. Eles aplicam ao futebol a ideia de uma grande empresa. É uma lógica pautada na audiência e não na questão esportiva. Isso leva ao enfraquecimento do sistema futebolístico como um todo, fazendo com que os clubes pequenos desapareçam.

No Rio de Janeiro, por exemplo, tínhamos clubes interessantes e poderosos, como América, Bangu, São Cristóvão, Bom Sucesso e Olaria. Eles tinham campos grandes, bons jogadores, nunca tiveram grandes torcidas, mas tinham certa tradição no futebol. O São Cristóvão, por exemplo, além do Ronaldo, deu outros sete jogadores para a Seleção Brasileira e foi campeão do RJ em 1926. Hoje está jogado às traças e, como outros, servindo apenas como vitrines para empresários. No futebol, como na vida em geral, o econômico não é sinal de que tudo vai bem. Pode a economia do futebol dos grandes clubes brasileiros ir muito bem e o futebol brasileiro ir muito mal.

IHU On-Line – Em sua opinião, até que ponto manifestações de dirigentes e cartolas influenciam no comportamento dos torcedores?

Marcos Alvito – A gozação faz parte do futebol, ele é movido pela rivalidade clubística. Mas, como diz o Jose Miguel Wisnik no maravilhoso livro “Veneno Remédio: o futebol e o Brasil”, essa brincadeira é semelhante a brincar com fogo, está sempre em um limite muito tênue entre a gozação e o confronto. A maior parte da violência que ocorre no futebol já existe na sociedade. Duas pessoas educadas, acostumadas a resolver suas questões de forma civilizada, podem brincar sempre entre si. Mas nas grandes cidades do Brasil, onde a violência faz parte do cotidiano, essa rivalidade é uma fagulha perigosa que pode acender o ódio.

Muitos dirigentes de clubes são políticos, vieram da política ou vão para a política durante a sua gestão ou depois, aproveitando a popularidade que angariam no futebol. Eles sabem que esse tipo de declaração vai aparecer na mídia e fazer com que os torcedores digam: “Ta vendo? Ele é torcedor igual a gente”. Só não é na hora de colocar o preço no ingresso, de reformar o estádio, de pensar em políticas de transporte para os torcedores. Caberia mais aos presidentes do clube tentar não acirrar esse tipo de rivalidade. Essa gozação vinda de um presidente soa como um populismo e uma demagogia perigosa.

IHU On-Line – Como surgiu a Associação Nacional de Torcedores?

Marcos Alvito – Eu sou torcedor do Flamengo há 50 anos. Comecei a estudar o futebol e fui para a Inglaterra fazer um trabalho que se chamava Paixão Vigiada. Já tinha feito uma etnografia dos policiamentos de torcidas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Aliás, comecei esse trabalho em 2005, no último dia da geral do Maracanã, que foi um jogo entre Fluminense e São Paulo. Quando fui para a Inglaterra, percebi que a ideia de que o futebol inglês tinha dado certo era um blefe de marketing. O futebol está endividado, os clubes devem milhões. O torcedor tem, em média, 43 anos, ou seja, é um público velho. Não tem juventude e alegria dentro dos estádios. O futebol inglês tinha dado certo antes, quando era extremamente popular, com clubes pequenos, estádios antigos, mas muito frequentados.

Quando voltei para o Brasil, percebi que esse plano de aristocratização do futebol estava em pleno andamento. Como típico professor universitário, eu fiquei reclamando e não fiz absolutamente nada. Até que o Flamengo, que estava quase na segunda divisão, colocou ingresso para um jogo contra o Palmeiras no valor de R$ 50,00. Foi o estopim. Escrevi um manifesto, fiz um blog, reuni os alunos e formamos a Associação de Torcedores. Éramos 30 pessoas em um bar tradicional em frente ao Maracanã, montando uma associação nacional para lutar contra a elitização do futebol. E a associação estourou, hoje nós somos 2.600 associados no Brasil inteiro.

É uma coisa incrível, porque todo mundo está percebendo que o jogo deles está sendo roubado, colonizado pelo capital. Aquele futebol que conhecemos vai desaparecer se não fizermos algo, se não barrarmos esse processo. Mas agora percebemos que há uma possibilidade de vitória, de conquista. Não podemos tratar esse processo como inevitável. Os cartolas, até agora, estão ganhando de goleada. Está na hora dos torcedores entrarem em campo e virarem o jogo. A Associação dos Torcedores é a amarelinha que podemos vestir com orgulho.

IHU On-Line – O Brasil está preparado para receber a Copa do Mundo de Futebol?

Marcos Alvito – Houve um bombardeio da mídia, em uma estratégia da distração, insistindo que Copa do Mundo, as Olimpíadas e outros megaeventos são a grande possibilidade de desenvolvimento. Está mais que provado que é uma mentira. A única coisa que um grande evento traz é aquele sentimento de “poxa, fizemos a Copa”. Na maior parte das vezes, traz prejuízo. A Copa do Mundo no Brasil vai custar 17 bilhões de Reais. Para se ter uma ideia, o Bolsa Família gasta 13 bilhões e meio de Reais por ano. Se o Bolsa Família permite que você alimente 30 milhões de pessoas, com o dinheiro da Copa do Mundo daria para alimentar 50 milhões de pessoas durante o ano. Será que vale a pena, quando sabemos que 65% desse dinheiro irá para a construção de estádios, que vão aprofundar o processo de elitização do futebol, além de dar dinheiro para empreiteiras, políticos e dirigentes corruptos? É um enorme desperdício de dinheiro.

Será uma Copa que o brasileiro não vai assistir. Cerca de 30% dos ingressos são reservados para patrocinadores da FIFA. Sobram 70% dos ingressos, que ficarão com os turistas e com o pessoal que tem dinheiro para pagar R$ 500,00 por um ingresso. O povo brasileiro não terá a menor chance e continuará assistindo a Copa do Mundo pela televisão com aquela frustração de que está a poucos quilômetros do estádio e não pode ir assistir. Não estamos preparados, não porque falta infraestrutura, mas porque é um conto do vigário, o que chamo de Copa 171. Trata-se de uma grande jogada de marketing das grandes empresas e que terá consequências depois que o circo da Copa do Mundo for embora. Não tem a ver apenas com recursos do povo, mas é uma agressão a essa arte e cultura popular que é o futebol brasileiro.

Para ler mais:

Futebol. A marca de uma identidade nacional? Edição 334 da revista IHU On-Line

Futebol: mística, identidade e comércio. Edição 184 da revista IHU On-Line



Torcidas Organizadas fundam Confederação Nacional
novembro 5, 2010, 1:41 pm
Filed under: Torcidas Organizadas

CUT firma apoio à CONATORG em favor do futebol e contra a criminalização do torcedor organizado

Fonte: CUT

No dia 13 de outubro foi fundada a CONATORG – Confederação Nacional das Torcidas Organizadas – com o objetivo de unir algumas bandeiras de lutas de todas as torcidas em âmbito nacional. Fundada no auditório da CUT-DF, a Confederação firmou o apoio da Central Única dos Trabalhadores como forma de fortalecer a luta e buscar organização para as pautas em comum das torcidas organizadas. 

De acordo com Vagner Freitas, secretário de finanças da CUT, a participação da Central no apoio às torcidas se dá pelo fato da CUT acreditar na importância da luta contra a criminalização dos movimentos sociais. “A torcida organizada, assim como o MST e a própria CUT, sofre um processo constante de criminalização, pois, entre outras coisas, consegue organizar a massa de torcedores para lutar pelos seus direitos”.

A relação entre a CONATORG e a CUT poderá contribuir com as futuras experiências que enfrentará a CONATORG, seja no seu processo organizativo/estrutural, seja nas bandeiras a serem defendidas em favor das torcidas organizadas em todo o país.

A criminalização que vem sofrendo as torcidas organizadas pela grande mídia conservadora e que agora se materializa nos artigos 39-A e 39-B do Estatuto do Torcedor faz com que as torcidas precisem se organizar para barrar o processo de exclusão do torcedor organizado do futebol. Eduardo Fontes, presidente dos Gaviões da Fiel e da CONATORG, explicou que a aprovação do Estatuto do Torcedor sem a alteração dos artigos 39-A e 39-B, que pune civilmente a torcida organizada pelos danos causados por algum membro, é uma tentativa de desorganizar e sufocar as lutas e reivindicações dos torcedores que optaram lutar pelo futebol e seu clube dentro de uma torcida organizada.

A importância social e cultural que cumpre as torcidas organizadas na sociedade é ignorada sistematicamente pela imprensa, o que compromete, entre outras coisas, na própria organização da torcida ao tentar articular iniciativas em benefício do torcedor e do futebol. São lutas tais como a alteração dos horários de jogos, que atendem a interesses comercias; a não extinção dos setores populares dos estádios; melhores condições de tratamento ao torcedor; a busca por uma maior transparência nas transações e negócios dos clubes; entre outras pautas que passam despercebidos, fundamentalmente, pela imprensa.

“Torcidas organizadas e movimentos sociais são parte do mesmo projeto maior de transformação social e que, portanto, precisam caminhar juntos. Por isso, a CUT Nacional se solidariza com a Confederação Nacional das Torcidas Organizadas”, finaliza Vagner Freitas, ao firmar o apoio e o compromisso da CUT na luta das organizadas.



CONATORG-CONFEDERAÇÃO NACIONAL DAS TORCIDAS ORGANIZADAS
outubro 27, 2010, 9:07 pm
Filed under: Torcidas Organizadas

Texto retirado do Blog do Pulguinha

RELATÓRIO DA ASSEMBLÉIA DO DIA 16 DE OUTUBRO DE  2010

Conforme amplamente divulgado a todos os presidentes, vice-presidentes e diretores de Torcidas Organizadas nos diversos estados brasileiros, foi realizada Assembléia Geral, no sábado, dia 16 de outubro de 2010 às 13h30 no auditório da CUT-DF (Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal), localizado no SDS Edifício Venâncio V Subsolo, Lojas 4, 14 e 20, Brasília-DF, com a participação de 67 pessoas, entre presidentes, vice-presidentes e diretores das seguintes torcidas organizadas: Cearamor, Dragões da Real, Dragões Atleticanos-GO, Estopim da Fiel (p/ procuração), Facção Brasiliense, Febre Amarela, Fiel Força Tricolor do Botafogo-SP, Força Jovem do Goiás, Garra Tricolor Fluminense, Gaviões da Fiel, Independente, Inferno Coral, Ira Jovem do Gama, Jovem do Sport, Máfia Azul, Mancha Verde, Os Fanáticos, Pavilhão 9 (p/procuração), Young Flu. Também estiveram presentes diretores das Sub-Sedes do Distrito Federal: Dragões da Real, Força Jovem do Vasco, Gaviões da Fiel, Independente, Ira Jovem do Vasco, Máfia Azul, Mancha Verde, Young Flu, bem como de advogados, observadores do Ministério do Esporte e da Central Única dos Trabalhadores. Essa assembléia, fruto das últimas ações realizadas em defesa das T.O´s, como: a) protesto na Esplanada dos Ministérios; b) o protocolo de petição no STF da ADIN – Ação Direta de Inconstitucionalidade do Art. 39-B do Estatuto do Torcedor e; c) fundação da Federação Nacional das Torcidas Organizadas – FENATORG – no dia 21/09/10; teve como propósito:

1) escolha da Diretoria Executiva;

2) tempo de mandato;

3) cidade-sede e sub-sede;

4) moção de apoio a candidatura da Dilma Rousseff para presidente da República.

Antes da escolha da diretoria executiva, foi solicitado pelo Frajola, membro da FTORJ – Federação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro – e do seu advogado, esclarecimentos sobre a constituição da Federação Nacional, sendo esclarecido pelos presidentes das torcidas organizadas, Independente, Gaviões da Fiel e Dragões da Real. Após os esclarecimentos, o mesmo sugeriu a mudança do nome de Federação para Confederação Nacional, o que foi prontamente atendido pela mesa da Assembléia.

Dando seguimento a este relatório, foi escolhido após a consulta das 17 Torcidas Organizadas presentes pelos seus representantes legais, a seguinte Diretoria Executiva:

Presidente – Eduardo Fontes (Gaviões da Fiel)

Vice-Presidente – Marcelo (Independente)

Diretor Geral – Juliano (Os Fanáticos)

Tesoureiro – André Guerra (Mancha Verde)

Presidente do Conselho Deliberativo – Andre (Dragões da Real)

Vice-Presidente da Região Centro-Oeste – Evandro Cavalcante (Força Jovem do Goiás)

Em seguida foi colocado a discussão da escolha da cidade que será a sede nacional da Confederação, sendo escolhida após entendimentos, a cidade de São Paulo, tendo em Brasília, sua sub-sede. Neste sentido, a CUT-DF, através do seu diretor Rodrigo, presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, estará ajudando de imediato, pelo período de 1 ano, o pagamento de aluguel e taxas condominiais de uma sala para o funcionamento da sub-sede (em Brasília), ficando para a Confederação, o custeio de água, luz e telefone.

Após isto, foi colocado em discussão o tempo de duração dos mandados, sendo aprovado, inicialmente, o tempo de 3 anos, a contar desta data.

No desfecho da Assembléia, foi solicitado por mim, Marcelo da Silva, diretor dos Gaviões da Fiel Sub-Sede Distrito Federal, aprovação de moção em favor da candidatura da Dilma Rousseff para presidente da República, o que foi prontamente acatado em nome da Confederação.

Em seguida, Danilo, diretor da Independente, propôs uma moção de agradecimento pelo empenho particular do Neguerê, vice-presidente da 22ª. Família da Força Jovem do Vasco – Distrito Federal, em favor deste movimento, sendo também acatado pela Confederação.

Ambas moções de apoio e de agradecimento, estão em fase final de redação para tão logo serem amplamente divulgadas.

Sendo isto para o momento, encerro este relatório.

Brasília-DF, 16 de outubro de 2010.

Em breve maiores informações!

GAVIÕES DA FIEL TORCIDA
FORÇA INDEPENDENTE EM PRÓL DO GRANDE CORINTHIANS



MP quer transformar Gaviões em duas torcidas
outubro 21, 2010, 2:05 pm
Filed under: Gaviões da Fiel - RSJ, Torcidas Organizadas

Do Blog do Perrone

Paulo Castilho, do Ministério Público de São Paulo, decidiu intervir na briga interna da Gaviões da Fiel. O promotor disse ao blog que tentará fazer com que o Movimento Rua São Jorge, responsável pelas cobranças mais duras aos jogadores do Corinthians, se transforme legalmente em outra torcida.

“A Rua São Jorge não segue mais as orientações da torcida sede, já atua como uma outra torcida. Então, seus membros têm que se desligar da Gaviões e constituir uma nova torcida. Estou disposto a tomar medidas judiciais para isso. Dei muito tempo para eles se entenderem, agora miha paciência acabou”, afirmou Castilho ao blog.

 A medida visa facilitar o controle sobre o movimento de oposição da Gaviões da Fiel. Quando membros desta ala se envolvem em alguma confusão, a diretoria da Gaviões responde ao Ministério Público que não tem como controlar os dissidentes.

Castilho começou a trabalhar nesta quarta-feira na separação informando outros promotores sobre sua decisão. Nos próximos dias deve intimar os líderes do Movimento Rua São Jorge para falar sobre o assunto.

“Eu não reconheço a Rua São Jorge como torcida enquanto ela não for constituída oficialmente. Mesmo assim, digo que ela protestou pacificamente no Corinthians”, completou Castilho. Dá para imaginar que a briga não será fácil, pois o objetivo do movimento é eleger o próximo presidente da Gaviões.

*Por que querem fazer isso com o Coletivo Rua São Jorge?
Sabíamos que não seria e nem será fácil alcançar tudo o que nos dispomos a lutar e buscar.
Reproduzimos aqui o editorial que publicamos na primeira edição do jornal “Voz da Rua”, pois, como diz o título, não é fácil ser Rua São Jorge:

Não é fácil ser Rua São Jorge
Ser corinthiano já é difícil por natureza. Ser corinthiano é quebrar paradigmas de uma sociedade inteira. Mas, ser Gaviões da Fiel que se reúne na Rua São Jorge é mais difícil ainda, pois a responsabilidade é grande. Não surgimos para brincar de revolução.

Existem diversas posições contrárias ao movimento, inclusive, dentro da nossa própria torcida. Sofremos um processo constante de discriminação e criminalização por parte da mídia e dos órgãos públicos, o que dificulta ainda mais a nossa atuação. Mas, somos fortes, temos mentes pensantes e conseguimos nos fortalecer mesmo com todas as adversidades.

No movimento, o Gavião precisa se entregar, trabalhar de forma voluntariosa e preocupar-se constantemente com o Sport Club Corinthians Paulista. Portanto, ser um militante da RUA é tarefa muito difícil. Aqui não existe status, facilidades ou confortos. Apenas a união e a pegada de Gavião para fazer acontecer e resgatar tudo aquilo o que acreditamos.

Ser corinthiano é algo inexplicável. Ser Gaviões da Fiel é viver unicamente para o Corinthians, sem pensar muito nas adversidades e dificuldades. Ser Gaviões da Fiel que se encontra na Rua São Jorge é buscar constantemente a ideologia e essência de torcida. É resgatar e dar continuidade à história. É tentar construir um novo modelo de torcida organizada. É viver o LHP em seu dia-a-dia.

“A união e a amizade são as únicas formas de nos mantermos fortes…”

Ninguém segura o Gaviões da Fiel Movimento Rua São Jorge



Torcidas organizadas e a cobertura da imprensa esportiva
outubro 14, 2010, 9:42 pm
Filed under: Torcidas Organizadas

Clique aqui e acesse o artigo que analisa, minimamente, o processo de criminalização que sofremos no dia-a-dia por aqueles que não querem nos ver cobrando, questionando e reivindicando. Cobraremos sim, sempre. Isso é ser Gaviões da Fiel!



Entrevista com os Gaviões em 1976… invasão Corinthiana
outubro 12, 2010, 12:26 pm
Filed under: Corinthians, Gaviões da Fiel - RSJ, Torcidas Organizadas